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Reserva Nacional do Niassa transloca animais para a Reserva Nacional do Gilé

26/11/18
Meio Ambiente
26/11/18

 

A Reserva Nacional do Niassa (RNN), na região norte, procedeu recentemente a movimentação de um conjunto de animais para a Reserva do Gilé, na província da Zambézia. No conjunto foram movimentados um total de 95 animais bravios, concretamente 50 zebras e 45 bois-cavalo.

A movimentação destes animais vai permitir o aumento dos efectivos faunísticos e a restauração da biodiversidade na área, assegurando a continuidade de prestação de serviços ecossistémicos e a transformação num pólo de atracção de turismo e de desenvolvimento das comunidades que residem ao redor, através de oferta de postos de emprego.

A translocação dos animais do Niassa para Gilé prova que é possível repovoar as áreas de conservação com base em animais provenientes do interior do território nacional, assim como a possibilidade do aumento da capacidade de preservação de determinadas espécies faunísticas de modo a evitar a sua extinção.

Esta é segunda vez que a RNN transfere animais para o Gilé, depois de em 2013 ter movimentado 48 búfalos, 15 zebras e 20 bois-cavalo que, de acordo com os resultados de monitoria, adaptaram-se sem sobressalto uma vez que as duas áreas têm o mesmo tipo de habitat.

A operação foi financiada pela União Europeia e implementada pelas administrações da Reserva Nacional do Niassa e Gilé, com a supervisão da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e o apoio técnico da Fundação Internacional para a Gestão da Fauna (Fundação IGF).

 

A Reserva Nacional do Niassa

Criada em 1954 com o objectivo de proteger a vida selvagem, principalmente os elefantes que residem dentro dos seus limites, a RNN cobre aproximadamente uma área de 42 mil quilómetros quadrados, representando não apenas uma das mais remotas, mas também a maior área de conservação do país.

A Reserva do Niassa distingue-se de outras áreas de conservação em Moçambique e de África pelo tamanho da sua área, sendo maior do que alguns países como a Suazilândia, a ausência de cercas e barreiras físicas, uma vasta floresta intacta do miombo, a conectividade da reserva com paisagens e áreas de conservação na Tanzânia, a morfologia e a conectividade dos sistemas aquáticos com lagos da África Oriental. Dispõe ainda de espécies emblemáticas e raras da vida selvagem, como o leão, o cão selvagem, o elefante e subespécies endémicas, como a zebra de “Crawshays”, o “gnu” do Niassa, a impala de “Johnston” e a zibelina de “Roosevelt”, a capacidade de suporte para uma grande população de herbívoros e, consequentemente, de carnívoros, por se tratar de um recinto de dois grandes “Inselberg”, nomeadamente os montes “Mecula” e “Jao”.

Alguns valores de conservação sofreram destruição maciça nos últimos tempos na Reserva do Niassa e outras partes de Moçambique, especialmente os elefantes. Foram mortos em média por dia quatro elefantes entre 2010 e 2013. Muitas das intervenções de conservação na reserva foram transferidas para a gestão de crises, concentrando-se no controlo da situação.

 

Administração da RNN

Em Dezembro de 2017, a administração da RNN, composta pela ANAC e pela Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS), juntamente com os principais parceiros e operadores de concessões da reserva desenvolveram um plano de acção contra a caça furtiva para ao ano de 2018, em resposta ao pico da caça de elefantes verificado no ano anterior.

A implementação subsequente do plano resultou numa redução de 73% do número de elefantes mortos ilegalmente até ao momento, comparativamente ao mesmo período do ano passado. Em 2017, de Janeiro a Agosto, foram abatidos ilegalmente 70 elefantes, contra 17 no mesmo período de 2018.

A ANAC, a WCS e as concessionárias conseguiram esses resultados promissores por meio de uma série de medidas coordenadas contra a caça furtiva. Como corolário deste esforço conjunto, a administração da reserva fretou ao longo de 60 horas helicópteros, durante os meses da estação húmida, concretamente de Fevereiro e Março de 2018.

As operações de helicópteros incluíram patrulhas diárias de concentrações conhecidas de elefantes, implantação de batedores e suprimentos em áreas remotas ou de outra forma inacessíveis, dos locais de caça ilegal e de suporte a outras actividades, tais como a manutenção de um sistema de rádio digital. Durante as horas de implantação do helicóptero, os incidentes de caça furtiva reduziram drasticamente.